09 abril 2013

NA PRESSA O SANGUE ESCORRE






 

Flickr: /michaeldillingham

05 out. 2012
Outra sexta-feira arrastada pela fugaz felicidade de outro fim de semana. Arrastada pela pressa dos minutos. A pressa, o combustível de SP, mesmo para aqueles que não querem chegar ao local de destino diário. Pessoas passam por outras e através delas. Todos querem chegam ao mesmo lugar em que chegam todas as noites e de onde saem pela manhã.
Talvez apenas para entrar na inercia do sono.
Nas escadas rolantes pés impacientes, e a esquerda nunca é deixada livre, mas a violência tem seus modos de pedir passagem.
Um ato desencadeia outro, simplesmente ação e reação. Até que o sangue caía e os pés impacientes se movam rápidos, ignorando o sangue que preenche os vãos da escada. O sangue que flui dos pensamentos, do crânio atingindo pela mochila de um semelhante.
Pressa e fúria, (im)pensamento.
Palavras resolveriam, uma bastava, mas o empurrão, a reação e o sangue em recompensa tornaram o caminho livre. A pressa, que é inimiga da perfeição, move humanos imperfeitos e instintivos. Move olhares em direção, mas nenhuma ajuda, nenhuma ação. Todos estão fechados dentro do próprio egoísmo, do medo que congela ou move as pernas para longe do olhar.
O sangue da reação inunda a roupa, domina as mãos e se espalha rapidamente, na velocidade da vida. O amarelo da camiseta é rapidamente consumido pelo vermelho aterrador.

Mas esse foi o antes, impiedoso. E enquanto ouço a chuva chegando a terra, revejo as memorias e não sei se a vida se manteve, se sobreviveu a imprudência e a violência...
A pressa torna irmãos desconhecidos, os rostos passam rápido demais para que se identifique a espécie, a semelhança. Continuamos a passos apressados, sabendo que todos estarão a sete palmos e a sete degraus no final, e sem chegarmos a lugar nenhum.

S. Olivx