26 março 2013

Meio século de trajetória





Please, please me 
- primeiro disco da banda inglesa The Beatles – completou  50 anos sexta-feira passada (22). O álbum foi gravado nos famosos estúdios EMI em Abbey Road.
Em um único dia, durante 10 horas seguidas, foram gravadas dez das quatorze faixas do disco. Please, please me permaneceu no topo dos álbuns  mais vendidos no Reino Unido durante 30 semanas.
Foi o prelúdio da carreira da banda que mais vendeu discos na historia, um recorde estimado em cerca de um bilhão de cópias. Apesar da carreira bem sucedida após a gravação do 12° álbum de estúdio, quando os quatro músicos já estavam envolvidos em projetos solos, Paul McCartney anunciou a separação da banda.
Entretanto, as historias de carreiras musicais nunca chegam a um desfecho, as musicas permanecem recontando infinitas vezes essa trajetória.
Em Liverpool, local onde nasceu a banda, este será um ano especial. Os eternos Garotos de Liverpool serão homenageados com uma série de atividades comemorativas.
Algumas músicas são verdadeiras histórias atemporais cantadas durante muitas gerações. Chegam a tornar-se parte da cultura. 
O Quarteto de Liverpool ficará cravado na história da música. Prova disso é que meio século depois, suas canções ainda encantam todas as gerações, em todos os cantos do mundo.
 
S. Olivx

18 março 2013

REDENÇÃO - SEM VAMPIROS





' Em A Casa você encontrará quatro pessoas com os corações atormentados em busca de perdão. 
Aprenderá que o perdão é o sentimento mais nobre em nosso caráter e tão poderoso que poderá unir os que estão do lado de cá com os que já foram para o lado de lá.. 
Descubra um romance delicioso, afetivo, que trata de sentimentos e vida após a morte. '   Quando leio as obras do André Vianco espero pelo sobrenatural. Aguardo a entrada poderosa do vampiro, o pulo feroz e mortal do lobisomem e até mesmo a aparição do Tinhoso. Deve ser porque o primeiro livro de Vianco que li foi 'Bento' (incrível!), que trata de um mundo devastado, sem comunicação, sem sonhos e assomado de vampiros. 
Inicialmente, por já estar acostumada com esse outro lado de Vianco, achei a narrativa de 'A Casa' desinteressante. Entretanto, os dramas dos personagens e, principalmente, a curiosidade foram me prendendo.
Em "A Casa" não há vampiros, nem lobisomens sanguinários e, nem o Tinhoso dá o ar da graça. É um mundo como o nosso, e o sobrenatural está visível apenas para aqueles que precisam enxergá-lo, na trama, para aqueles que precisam de uma segunda chance na vida. 
Uma segunda chance quase sobrenatural.
 
A curiosidade do leitor é atiçada e então, sem escapatória digna, me vi imersa nas poucas páginas do livro (são 227 apenas). 

"Afundou a cabeça no colchão. O travesseiro estava

tentando lhe contar um segredo. Ficou quieta. O travesseiro estava sussurrando alguma
coisa. Passou a ouvir sua respiração. As paredes estavam se movendo, tornando o
quarto mais apertado."


São quatro narrativas paralelas, sobre quatro pessoas que tiveram a sua vidas massacradas por uma escolha do passado e vivem atormentadas.
A viagem quase psicodélica de uma das personagens me fez sentir exatamente o que ela sentia naquele momento, e imagino, seria uma cena fantástica no cinema.
É quase impossível não se envolver com essas histórias. Um romance que mexe diretamente com as mazelas emocionais humanas, e transborda de sentimentos. 
"Sua imaginação estava ativa. As vozes. Mais de três tons diferentes. Sussurrando coisas. "
Esses personagens tão humanos, terão a redenção e a segunda chance que tantas pessoas desejam na vida. É uma jornada curiosa.
Um daqueles livros que o final te faz sorrir e acaba valendo a pena chegar ao fim da narrativa.

Em alguns momentos você sente que falta algo na trama, porém o final compensa as palavras que nunca foram ditas.

S. Olivx

Vampirismo Urbano




Respirei o mais fundo de pude antes de abrir os olhos. Então, limpei minhas janelas de toda inocência e ingenuidade. Vi o mundo como ele realmente existe, sem poesia em cada pensamento.
Vi pessoas que se escondem em sua miséria. E percebi que algumas delas não são mais tão humanas.
Por motivos diversos que só a vida pode explicar, essas pessoas pouco se importam consigo mesmas e muito menos com qualquer um ao seu redor. São escravas da vontade, porém, preguiçosas. 
Como humanos que já não são, sugam as pessoas que passam.
As pessoas, estas que passam sempre, dividem-se entre os que sentem dó, os indignados e os que apenas ignoram aqueles infelizes-por-escolha
Infelizes porque escolheram desistir.
Optaram pelas migalhas da vida, pela água que drena a consciência.
Os infelizes, levantam os olhos na tentativa de despertar qualquer emoção benéfica a si, no escravo que tenta manter uma vida de auto-respeito. Entretanto, SOLIDARIEDADE NÃO É VAMPIRISMO.
Quando você consegue desvincilho da poesia na visão do mundo, não enxerga pessoas que tiveram azar ou tragédias na vida, mas vê diante de si, seres que usaram uma situação, as vezes apenas uma palavra, para decidir uma existência.
Desistir da existência.
Secamente, descobrimos que não lutam por absolutamente nada, e o nada já é absoluto por si só, mas pedem todas as coisas para aqueles que passam sempre lutando. 
Eles pedem um pouco de seu desejo para quem não pede nada a ninguém.
Miséria e fome não são condições de vida, e deveriam impulsionar luta, não aceitação.
Outrora, houveram sonhos e vontades superiores à meras necessidades fisiológicas, mas sonho sem jornada fica sem efeito, e sem causa.
Despi-me dessa visão infantil de que o mundo é um lugar mal e as pessoas são boas. 
O mundo é apenas o exterior de nós mesmos.
 
S. Olivx