16 julho 2013

A aguçada sorte de julho

Chegou em casa e já era outro dia desde que saiu pela última vez.
O vazio estava a lhe esperar, convidativo.
A solidão é ótima, libertadora.
O solo de Lease of Life tocando nos ouvidos.
Tirou os sapatos, havia pisado na sorte naquela noite (e como fedia!)
Deixou o vento bagunçar os cabelos.
Olhou para o céu, alguns pingos eram visíveis em meio a luz artificial e a poluição humana.
Levantou-se e finalmente abriu a porta.
Entrou e largou a sacola em cima da mesa.
Tirou a jaqueta cuidadosamente, para evitar que o fone de ouvido fosse ao chão justo na melhor parte da música.
Respirou fundo aquele silêncio.
Apagou a luz, ouviu a melodia envolvente daquele momento da música
Ainda no escuro lembrou que agora já era sexta-feira, sexta-feira 13.
"Oh, meu deus! Os fantasmas e monstros de sombras!", pensou apalpando a parede em busca do interruptor, que interromperia a escuridão.
Levou três eternos segundos para encontrar e trazer de volta a luz, e com ela a realidade.
A cozinha vazia, sorria.
Desistiu da sua próxima ação.
Apagou as luzes e voltou pela porta que adentrara.
Viu o sol nascer sentada no chão, batendo nas portas do céu.


S.
Do Caderno Vermelho

Nenhum comentário:

Postar um comentário