18 março 2013

Vampirismo Urbano




Respirei o mais fundo de pude antes de abrir os olhos. Então, limpei minhas janelas de toda inocência e ingenuidade. Vi o mundo como ele realmente existe, sem poesia em cada pensamento.
Vi pessoas que se escondem em sua miséria. E percebi que algumas delas não são mais tão humanas.
Por motivos diversos que só a vida pode explicar, essas pessoas pouco se importam consigo mesmas e muito menos com qualquer um ao seu redor. São escravas da vontade, porém, preguiçosas. 
Como humanos que já não são, sugam as pessoas que passam.
As pessoas, estas que passam sempre, dividem-se entre os que sentem dó, os indignados e os que apenas ignoram aqueles infelizes-por-escolha
Infelizes porque escolheram desistir.
Optaram pelas migalhas da vida, pela água que drena a consciência.
Os infelizes, levantam os olhos na tentativa de despertar qualquer emoção benéfica a si, no escravo que tenta manter uma vida de auto-respeito. Entretanto, SOLIDARIEDADE NÃO É VAMPIRISMO.
Quando você consegue desvincilho da poesia na visão do mundo, não enxerga pessoas que tiveram azar ou tragédias na vida, mas vê diante de si, seres que usaram uma situação, as vezes apenas uma palavra, para decidir uma existência.
Desistir da existência.
Secamente, descobrimos que não lutam por absolutamente nada, e o nada já é absoluto por si só, mas pedem todas as coisas para aqueles que passam sempre lutando. 
Eles pedem um pouco de seu desejo para quem não pede nada a ninguém.
Miséria e fome não são condições de vida, e deveriam impulsionar luta, não aceitação.
Outrora, houveram sonhos e vontades superiores à meras necessidades fisiológicas, mas sonho sem jornada fica sem efeito, e sem causa.
Despi-me dessa visão infantil de que o mundo é um lugar mal e as pessoas são boas. 
O mundo é apenas o exterior de nós mesmos.
 
S. Olivx

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