01 fevereiro 2013

Platéia - Divagações Platônicas





"  - Já lhe disse em outra ocasião que a beleza, meu caro,
está no caráter, na inteligência. Na forma como vemos no
mundo das ideias, o resto são sombras do que nossos
sentidos conseguem captar – disse Platão com aquele
olhar perdido.
O dia estava nublado e, a natureza ao redor estava calada
ouvindo a voz dele como um sussurro. Aristóteles
murmurou:
- A beleza está na harmonia da forma como um todo...
Platão aquiesceu por alguns momentos, reparando no rio a
sua frente, fluindo naturalmente, como se aquela fosse sua
condição eterna. Notou que o menino Aristóteles lhe
encarava esperando do mestre alguma reação.
- Meu caro a forma bela é o que permite o começo do
amor, e o amor se fixa pela própria beleza da mente.
A mente sagaz do garoto inquiriu o mestre:
- Então primeiramente se ama pela forma bela e depois o
amor se torna a própria forma?
- “Beleza que existe eternamente, e nem nasce nem 
morre, nem mingua nem cresce; beleza que não é bela por 
um aspecto e feia por outro; nem agora bela e depois não; 
nem tampouco bela aqui e feia em outro lugar, nem bela 
para alguns e feia para outros. Nem poderá tampouco 
representar-se esta beleza como se representa, por 
exemplo, um rosto ou umas mãos, ou outra coisa alguma 
pertencente ao corpo, nem como um discurso ou como 
uma ciência, mas que existe eternamente por si mesma e 
consigo mesma.”
Eles não repararam, mas cada gota d’agua, o próprio rio,
havia parado para ouvir tais palavras e agora no silêncio,
cada uma seguiu o seu caminho. Em direção ao mar de
algum lugar.

S. Olivx

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