30 janeiro 2013

Fahrenheit 451 - A Fênix nos escombros





" Em 1933, quando os nazistas queimaram em praça pública livros de escritores e intelectuais como Marx, Kafka, Thomas Mann, Albert Eistein e Freud, o criador da psicanálise fez o seguinte comentário: 'Que progressos estamos fazendo. Na Idade Média, teriam queimado a mim; hoje em dia, eles se contentam em queimar meus livros'. "



Bücherverbrennung: Queima de livros  no início da década de 30, na Alemanha.

Esse episódio ocorrido há tão pouco tempo atrás na história mundial, inspirou Bradbury a escrever The Fire Man, posteriormente intitulado Fahrenheit 451.
O livro é dividido em três partes, nomeadas com títulos instigantes e poéticos. Na primeira parte somos 
apresentados à um mundo bastante semelhante ao que pode tornar-se um futuro próximo. Um mundo de valores invertidos e sociedade alienada, em que você pode ser preso pelo simples fato de caminhar pela rua, por ser um pedestre e não um motorista. 
Vemos o mundo através da vida de Montag, um queimador de livros, um bombeiro. Os livros são proibidos pelo regime totalitário, e é considerado crime manter livros em casa. Bombeiros já não combatem o fogo.
Ao invés de água, querosene.
Ao invés de cessar o fogo, incendiar!
As casas são à prova de combustão, logo ao incendiar a casa apenas os livros, antes ocultos, serão queimados. 
Uma noite, ao retornar para casa, Montag conhece Clarisse McClellan, uma garota capaz de incitar todos os porquês que  impulsionarão Montag a pensar por si mesmo ao questionar a sua profissão, a própria felicidade e o porque da destruição de livros. Um dos questionamentos propostos por Clarisse à Montag:

" __ É verdade que antigamente os bombeiros apagavam incêndios em lugar de começá-los?" 

As frases de Clarisse McClellan são a sabedoria do passado e intuição que Montag precisa para questionar o mundo, e fizeram-me recordar dos questionamentos de Winston Smith, em 1984, de George Orwell:
"A vida teria sido sempre assim? A comida teria tido sempre aquele gosto?  [...]
  Por que razão o indivíduo acharia aquilo intolerável se não tivesse algum tipo de
memória ancestral de que um dia as coisas haviam sido diferentes?"

A alienação da sociedade é claramente percebida nas ações da esposa de Montag. Mildred é alienada e depressiva, mas não se dá conta disso, nem mesmo ao quase suicidar-se por excesso de remédios para dormir. Esta é uma sociedade onde se fala com as paredes que simulam uma resposta e este é o limite do dialogo, uma sociedade de olhos e ouvidos fechados. A felicidade tornou-se uma palavra vazia e sem significado para pessoas que nem ao menos sabem que tem sentimentos, sintoma típico de um regime tão opressivo e totalitário. 

Em um dia rotineiro de trabalho, Montag sente-se tentado e rouba um livro que deveria estar queimando, junto com a leitora que o escondeu na casa que também é invadida pelas chamas.  Em meio a guerra iminente, Montag torna-se um criminoso e fugitivo.
" Um livro pousou, quase obediente, como uma pomba branca, em suas mãos, as asas trêmulas. "
 O fogo destrói sem fazer distinção entre bom e ruim. Livros são queimados para que a ideologia - o conhecimento - se perca, entretanto quando alguém lê também se torna parte da ideia, o conhecimento torna-se parte do indivíduo e, não pode mais ser perdido.
Após a leitura carregamos aquela ideia conosco para sempre.
E o que o homem precisa não são de livros, mas da ideia que contém.
 Distopias são pessimistas por natureza, mas FAHRENHEIT 451 pode ser considerada uma distopia otimista, que no fogo e na destruição cria uma faísca de esperança, de renascimento e reconstrução de um novo mundo. Assim como a Fênix que por enésimas vezes consumiu-se, mas sempre renasceu das cinzas!

S. Olivx




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